FICHA
TÉCNICA
TITULO ORIGINAL: La Cena
ANO: 1998
PAIS DE ORIGEM: Itália/França
IDIOMA: Italiano
DURAÇÃO: 98 min
DIRETOR: Ettore Scola
ELENCO: Fanny Ardant; Antonio Catania; Francesca d’Aloja; Ricardo
Garrone; Vittorio Gassman; Giancarlo Giannini; Marie Gillain
COMENTÁRIO
Ettore Scola repete aqui a mesma receita de “O Baile”, onde,
concentrando todas as cenas em um só ambiente, se debruça
sobre a análise sutilmente detalhada do ser humano enquanto individuo.
Abolindo por completo qualquer recurso de efeitos especiais ou jogos
de câmeras, coloca o enredo num cenário marcado pela verossimilhança
com o cotidiano, e concentra a composição dos personagens
no vestuário, gestos e diálogos, aos quais faz jus a interpretação
do elenco. Ettore consegue criar com soberba densidade dramática,
um microcosmo minimalista, onde o humor se intercala como humanismo
e a poesia.
A história se fragmenta e se complementa em vários núcleos,
que expõem a vida, e a forma como esta é encarada, através
de atitudes circunstanciais. Os 98 minutos do filme se passam na sala
de um restaurante e seus adjacentes (cozinha e recepção),
aonde os personagens vão traçando o roteiro na medida
em que chegam.
Os conflitos, mais ou menos profundos, apresentados de uma forma mais
ou menos escancarada, de cada núcleo, são acompanhados
pelo delicioso cardápio, e pelos vinhos que aconchegam e desinibem
o espírito. Os pratos, escolhidos pelos fregueses ou indicados
pelo garçom, são o retrato da tradicional cozinha italiana,
orquestrados pela maestria de um cozinheiro que deixa a alma impregnar-se
pelo paladar. O valor dado à essência da gastronomia é
enfatizado pela indignação do garçom, quando uma
família de japoneses insiste em colocar catchup no prato que
lhe é servido.
Neste filme, a culinária é também um personagem
constantemente presente, e embora as câmeras não foquem
a aparência dos alimentos num contexto enfático, os mais
apaixonados por esta arte, acabam recorrendo à imaginação
para tentar descobrir como e com o quê cada item do cardápio
foi elaborado.
Comentário
de Cris da Silva