Naquela
noite do dia 24, de um ano qualquer, em que me dispunha a abandonar
a própria sobrevivência, já que a vida se esvaíra
em lágrimas que alimentavam as lembranças do passado,
a serena perseverança e a enfática vontade de viver de
uma criança, havia injetado em minhas veias o soro do renascimento.
Ao voltar para casa, sob o efeito da lição que acabara
de receber, instantes de reflexão, onde o emocional não
se desagrega do racional, mas apenas busca neste, um ponto de equilíbrio,
foram arrumando a um canto do meu coração, recordações
que se antes vestiam o amargo traje da revolta, se despiram de todos
os adornos que intensificavam a dor, e passaram a vestir a singela cambraia
da saudade, apenas saudade. O espaço antes ocupado pela amargura
que enfraquece o espírito, abriu com clara amplitude caminhos
que nos possibilitam semear novas metas, para depois colher os frutos
que engrandecem a alma e nos contemplam com o verdadeiro sentido da
vida.
Derreti numa panela, 4 colheres (de sopa) de sopa de manteiga. Refoguei
2 xícaras de azeitonas verdes (sem caroço e cortadas ao
meio), 4 maçãs picadas, 1 abacaxi picado e 2 xícaras
de uvas, (cortadas ao meio e sem sementes).
Enquanto me empenhava na composição lúdica de mais
um prato para a ceia de Natal dos filhos que o meu coração
adotara, e que impunham gratificantemente à minha vida uma nova
filosofia, recordava com carinho e muita, muita saudade, os filhos que
gerara em meu ventre e que passaram a descansar num lugar tão
longe do meu corpo, mas tão presente em meus pensamentos. A lembrança
das suas expressões de satisfação ao saborearem
as refeições que costumava preparar, inspirava-me a oferecer
a outras crianças a mesma magia que o paladar desperta.
Juntei 1 Kg de farinha de mandioca, mexi com delicadeza, envolvendo
os ingredientes, durante 5 minutos, acrescentei 2 xícaras de
bacon torrado (cortado em cubinhos) e 1xícarade coentro picado.
Inspirei fundo, inalando o perfume imperativo do coentro, que se adocicava
em meio ao aroma frutado, e escancarei a alma num largo sorriso.
(É
permitida a reprodução deste texto, desde que seja citada
sua origem e autoria: www.sensibilidadeesabor.com.br; Cris da Silva.)
Este
conto continua em outra receita.