COMENTÁRIO
1959, num lugarejo da França. Foram estes a data e lugar que
Lasse Hallström escolheu para situar mais um dos seus filmes cujo
tema psicológico centraliza o universo das relações
humanas. Diferente de “Minha Vida de Cachorro” e de “Meu
querido intruso”, na maneira como aborda o tema, embora ostentando
alguns clichês, este filme (indicado para o Oscar de melhor filme)
é coberto por uma aura de leveza e simplicidade, com locações
simples, (bem ao estilo europeu), apesar da fotografia magnífica
de uma paisagem que traduz bem a vida pacata das cidadezinhas do interior
da Europa nesta época.
A atuação do elenco se restringe a desempenhar o seu papel
sem falhas, sem algo de louvável a acrescentar. Neste aspecto,
todo o mérito fica por conta da interpretação de
Alfred Molina, (no papel de um nobre prefeito extremamente conservador
e ligado a convicções religiosas), e de Judi Dench (que
faz uma velha, de certa forma marginalizada pela comunidade e pela filha,
a qual a proíbe de ver o neto, por não se encaixar nos
padrões do lugar, devido ao seu estilo irreverente).
No inverno deste ano, Vianne (Juliette Binoche) e sua filha, chegam
ao lugarejo, onde montam uma “chocolaterie”, e são
recebidas com restrinções, por tentarem, de alguma forma,
romper certos conceitos enraizados na população inerte.
O ambiente criado na “chocolaterie”, a aparência dos
chocolates confeccionados por Vianne, e a magnitude com que o faz, quase
permitem que o inebriante aroma deste ingrediente exale das imagens
do filme, tornando-o uma tentação irresistível.
As cenas do jantar comemorativo oferecido por Vianne, transpiram no
visual dos pratos, e na leveza de espírito que vai tomando conta
de todos, um mistério que seduz a alma e o paladar.
Comentário
de Cris da Silva